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Peso das matérias-primas nas exportações brasileiras quase dobra

12/07/10

 

A voraz demanda chinesa por commodities foi a principal causa de uma transformação radical no perfil do comércio exterior brasileiro.

O peso das matérias-primas nas exportações totais do país praticamente dobrou ao longo da última década, saltando de 22,8% no primeiro semestre de 2000 para o recorde de 43,4% (o equivalente a US$ 38,7 bilhões) no mesmo período deste ano.

A contrapartida dessa tendência é que a participação dos bens industrializados (semimanufaturados e manufaturados) caiu de 74,4% para 54,4% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior levantados pela Folha.

É quase consenso hoje que o apetite chinês por commodities agrícolas e metálicas veio como um bilhete premiado para o país. Contribuiu para o acúmulo de significativas reservas internacionais que hoje somam US$ 255 bilhões e ajudou a sustentar o bom desempenho da economia em anos recentes.

"O Brasil tem o privilégio de produzir o que a parte mais dinâmica do mundo, a Ásia, quer comprar", diz Octavio de Barros, diretor de estudos e pesquisas econômicas do Bradesco. Mas, dada a concentração crescente das exportações e a perda de competitividade externa da indústria nacional, há um risco de que o bilhete premiado do passado recente se transforme em ônus.

"A pauta de exportação brasileira ainda é bastante diversificada, o que é muito positivo. Mas tem havido uma concentração crescente em poucos produtos primários", diz Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Dados do ministério corroboram o que diz Almeida.

O peso do minério de ferro na pauta de exportações bateu recorde em junho: 13,6% do total e mais do que o dobro do registrado em 2000.

Juntos, minério de ferro e soja representaram mais do que 25% das exportações totais em junho, ante cerca de 10% no início de 2000.

CONCENTRAÇÃO

O processo de concentração das exportações se acentuou desde 2008. A demanda por produtos industrializados caiu, já que os tradicionais compradores dos mesmos -os países desenvolvidos- foram fortemente afetados pela crise global. Já alguns emergentes asiáticos, liderados pela China, cresceram de forma relativamente robusta mesmo durante a crise e, desde então, se recuperaram fortemente.

Segundo Ruben Damião, sócio da Galeão Serviços de Investimentos, a China quadruplicou o volume importado de soja em menos de dez anos para atender à demanda crescente de sua população por alimentos. No mesmo período, diz Damião, o país asiático multiplicou por dez sua importação de minério de ferro para viabilizar seus níveis altíssimos de investimentos em estrutura e maquinário pesado.

"Isso beneficiou o Brasil porque era o produtor com mais capacidade de atender essa demanda explosiva."
 
 
Por Folha de São Paulo - SP
 
 
 

  

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