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Com euro barato, empresas brasileiras importam mais da Europa

28/06/10

 

As empresas brasileiras aproveitaram o euro em baixa nos primeiros cinco meses do ano para aumentar o ritmo de importações brasileiras vindas da Europa. Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, feito a pedido da Agência Estado, mostra que a receita total de compras externas do Brasil originadas dos países da zona do euro subiu para US$ 11,715 bilhões, de janeiro a maio.

Foi o maior valor dos últimos dois anos, 29,6% acima do apurado em 2009 para o mesmo período (US$ 9,038 bilhões); e 4,6% a mais do que a registrada nos primeiros cinco meses de 2008, antes da crise global (US$ 11,198 bilhões).

A cotação mais baixa do euro este ano, devido ao cenário de turbulência no continente por conta da crise econômica na Grécia, é perceptível no desempenho semanal da moeda. De acordo com o serviço de cotações da Agência Estado, a média semanal do euro nos primeiros cinco meses de 2008 foi de R$ 2,60; nos primeiros cinco meses do ano passado, foi de R$ 2,96, de janeiro a maio de 2010, ficou em R$ 2,43.

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) já aponta a possibilidade de o ritmo de importações brasileiras originadas da zona do euro seguir em alta este ano. O vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, explicou que as principais compras efetuadas pelo Brasil em países da zona do Euro são máquinas, equipamentos e autopeças.

Ele não descartou a possibilidade de um aumento nas importações de máquinas europeias. No entanto, comentou que, embora o euro possa estimular inicialmente as compras externas, o impacto no volume total das importações brasileiras este ano não será muito expressivo.

"Mas não acho que o euro vá se desvalorizar e chegar a uma paridade cambial com o dólar até o final do ano, como alguns analistas apostam. Creio que esta projeção é muito pessimista", acrescentou.

As oportunidades de negócios com o euro em baixa pode ser percebido, em diferentes níveis, entre as empresas. Em palestra ontem no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o economista, professor da Unicamp e membro do conselho de administração da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Luiz Gonzaga Belluzzo, comentou que tem ouvido de empresários que há um forte movimento de substituição da produção doméstica por importações.

Este novo apetite brasileiro por compras externas originados de países da zona do euro já começou a puxar para cima o desempenho total de importações brasileiras originadas da União Europeia (que abrange países que não adotam o euro como moeda oficial) em pelo menos um setor.

Dados da Secex mostram que as importações brasileiras originadas da UE de veículos automóveis, tratores, partes e acessórios, que estão entre os produtos mais importados pelo Brasil dos países europeus que adotam o euro, já somam US$ 1,44 bilhão nos primeiros cinco meses deste ano; quase o dobro do apurada em igual período em 2009 (US$ 730,9 milhões) e já superando levemente os primeiros cinco meses de 2008 (US$ 1,35 bilhão)
 
 
Por Agência Estado - AE
 
 
 

  

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