Estudo mostra que bem nacional sofre maior concorrência asiática. Participação brasileira no mercado dos EUA é similar à de 2002 (1,3%), já a chinesa dobrou em oito anos, para 19%.
Além de sofrer com a competição de produtos chineses no mercado interno, o Brasil voltou a perder participação nas exportações para os principais mercados em que concorre com a China.
De acordo com estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), os exportadores chineses ampliaram as vendas para o mercado norte-americano no período que se seguiu à crise financeira de 2008, enquanto o Brasil perdeu espaço.
Esse problema tem afetado, principalmente, produtos industrializados, o que contribui para manter o país como grande exportador de produtos básicos e de baixo valor agregado.
A participação dos produtos brasileiros nas importações dos EUA, que cresceu quase 20% na primeira metade da década, voltou ao nível de 2002 (1,3% do total). Os chineses respondem por 19% daquele mercado, o dobro do registrado há oito anos.
Apesar de o Brasil ter uma participação pequena nas importações dos Estados Unidos, o mercado é o segundo principal destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China.
Preocupação
Para Sandra Rios, uma das responsáveis pelo levantamento da CNI, a perda de mercado dos produtos brasileiros fora do país é mais preocupante para a indústria nacional do que a concorrência com a China para as vendas dentro do Brasil.
"Mesmo para alguns setores que competem com os chineses, há possibilidades de expansão no mercado doméstico, porque a economia brasileira está crescendo. Mas, quando se perder mercado lá fora, com essa desaceleração nos EUA, a recuperação é mais complicada."
Nem mesmo a decisão do governo chinês de ampliar a margem de flutuação do yuan (a moeda chinesa) deve alterar esse quadro no curto prazo, segundo Sandra. Até porque o câmbio não é o único fator que tira competitividade da indústria nacional, que têm mais custos de capital, tributários e de logística.
Mesmo em países nos quais o Brasil ainda é predominante, como a Argentina, a concorrência chinesa ganha espaço. As exportações do país asiático representam hoje 40% das vendas brasileiras para o país vizinho, ante 20% em 2002.
Os chineses já ultrapassaram os brasileiros, por exemplo, nas exportações de produtos eletroeletrônicos para o mercado argentino.
Tensões Comerciais
Uma das reações a essa concorrência asiática, no mercado interno, foi o aumento de investigações antidumping contra o parceiro comercial. Segundo a CNI, dos processos abertos pelo Brasil até hoje, 35% tiveram a China como alvo.
Mais de 70% das investigações concluídas terminaram com a imposição de restrições ao produto importado, como nos casos de pneus e calçados.
Por Folha de São Paulo - SP