O setor de transporte de cargas e logística busca a recomposição dos preços de seus serviços. As perdas sofridas em decorrência da crise econômica de 2008/2009 ameaçam a sustentabilidade econômica desta atividade.
Segundo estudos do DECOPE - Departamento de Custos Operacionais e Estudos Técnicos e Econômicos da NTC & Logística, entidade nacional de representação do setor, com sede em São Paulo, as perdas acumuladas são de 18%.
O tempo dos caminhões parados nos clientes e nos postos fiscais, a permanência da carga nos terminais, crescentes necessidades de escoltas, custos com gerenciamento de riscos, e o número cada vez maior de taxas, vistorias, licenças, e restrições à circulação dos veículos comerciais, estão entre os fatores externos que agravam os custos e diminuem a produtividade do setor.
As péssimas condições de muitas rodovias, maltratadas pelas condições climáticas que inclusive danificaram pontes, provocando desvios, atoleiros em estradas vicinais, também estão entre os aspectos que oneram o transporte.
A estes fatos soma-se o aumento da demanda pela safra recorde. No Mato Grosso, por exemplo, o frete já subiu 28%, em função disso.
A Comissão de Equilíbrio Concorrencial do SETCERGS, em reunião no dia 22 de fevereiro, referendou o índice de 18% anunciado pela entidade nacional do transporte e logística.
Diante do cenário de retomada do crescimento econômico e a necessidade do transporte de cargas manter sua estratégica função de distribuição e logística para o Brasil, a recomposição do preço dos fretes é imperiosa, destaca José Carlos Silvano, presidente do SETCERGS.
Segundo ele, o reajuste passa a vigorar no dia 1º de março, podendo variar de acordo com o tipo de carga transportada, os contratos que cada empresa mantêm com seus clientes, assim como em função de reajustes já negociados ao longo do ano passado.
O que está em jogo é a qualidade e efetividade dos serviços do setor, completa Silvano, explicando que as empresas precisam investir em frota, terminais e pessoal treinado, sem o que não poderá fazer frente ao aquecimento do mercado.
Por Wagner Dilélio - SETCERGS