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Recessão, depressão, reação...
Adolfo Bracci *

 

            Por causa da súbita crise econômica desencadeada pela feroz e previsível crise financeira global, voltaram à moda mestres da economia como J.M.Keynes e J.A.Schumpeter. Com certeza, permanece uma forte dúvida sobre o motivo de terem estado no esquecimento por tanto tempo.
 
            A decepção provocada pelos idólatras da auto-regulamentação do mercado e da engenharia criativa financeira, como fonte de riqueza independente da economia real, foi repentina e feroz. Este soco no estômago deixou o mundo inteiro sem fôlego e atordoado. Mas o golpe estava sendo preparado há muito tempo. Podia e devia ter sido previsto.
 
            Deixamos de lado estes assuntos que, embora de vital importância, podemos compreender, mas não podemos mudar. Analisamos os fatos e expressamos nossa opinião. Para exemplificar consideramos a Itália. 
 
            Recessão: A economia italiana está caindo em uma recessão profunda. O boletim econômico do departamento de Estudos e Pesquisas do Banco Central da Itália é brutalmente claro: 2008 se conclui com uma queda de 0,5 % do PIB. E as previsões para 2009 são ainda piores: contração do PIB de 2,0%. O agravamento da conjuntura causará efeitos negativos também nas contas do Estado, portanto a dívida pública é destinada a superar 105% do PIB. Aumentará o desemprego, e o sistema bancário, apesar da redução das taxas de juros ao mínimo histórico, aperta ou fecha as torneiras do crédito. Esta verdade objetiva deve ser claramente explicada pelo Governo, especialmente pelo Ministro da Economia. Não deve ser amenizada, velada, deslegitimada ou desmentida pela falta de sintonia entre Ministério e Bankitalia.
 
            Depressão: Uma recessão assim rápida e forte pode levar a uma depressão econômica da qual é difícil prever o fim. Devemos também considerar a depressão psicológica induzida dos empresários e dos consumidores que produz sempre efeitos nefastos, agravando a recessão.
 
            Desejamos fortemente que tal não aconteça.
 
            Reação: Cada um deve fazer o seu dever: cidadãos, Estado e empresas. É totalmente proibido transferir a responsabilidade e o peso da retomada da economia aos outros. O cidadão, consumidor, contribuinte e poupador, deve administrar-se com parcimônia, racionalizar o consumo, respeitar as leis e assumir uma postura ativamente crítica e vigilante, evitando as anestesias da mídia. 

          O Estado tem o dever de apresentar a verdade e a objetividade dos dados econômicos e estatísticos. Não deve cair em tentação populista, digna dos “caudillos”, deve evitar conflitos auto-destruidores com instituições de comprovada seriedade e lealdade, como o Banco Central da Itália e organismos internacionais. Deve traçar uma política econômica de apoio às categorias verdadeiramente produtivas e às rendas mais baixas, reconhecendo o grave “pecado original” que queimou cerca de 10 bilhões de euros (abolição do “ICI”- imposto municipal sobre os imóveis, operação Alitália, etc..), que hoje seriam preciosos, mesmo se insuficientes.
 
            E as empresas? Como é difícil “fazer o empresário”, quando a situação geral é assim negativa! Mas não devemos nos entregar. Os melhores empresários saberão superar também esta terrível conjuntura. Vale o ensinamento de Joseph Alois Schumpeter: “... O novo é somente fruto da nossa imaginação. Finalizar um novo plano e agir na base de um plano habitual são coisas tão diferentes quanto construir uma estrada e caminhar nela”.
    
        Enfim, esta crise também apresenta oportunidades. O empresário verdadeiro, e não o simples proprietário de empresa, saberá reconhecê-las e utilizá-las a seu favor.
 
            O nosso trabalho como Câmara de Comércio Italiana Rio Grande do Sul - Brasil é de apoiá-lo nesse desafio. E o faremos com todo o nosso empenho.
 
 
* Senior Advisor - AsCon - Assistência & Consultoria às Empresas - Câmara de Comércio Italiana Rio Grande do Sul - Brasil












































 


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